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sábado, 19 de julho de 2014

Explicando o Desvio Portossistêmico - Shunt

Oi gente! A postagem de hoje é sobre uma doença muito comum, principalmente em animais jovens, mas que é muito mal divulgada e difícil de diagnosticar, a doença é o Shunt, desvio portossistêmico. Ela é a doença mais comum do sistema hepatobiliar em cães e gatos. Como é complicado, vou fazer o artigo bem organizadinho, ok?

O QUE É O SHUNT?
Falando de grosso modo, é uma veia com problemas que acaba deixando sangue venoso, não filtrado, cair no lugar errado. O sangue "sujo", cheio de impurezas e toxinas, desvia o caminho e ao invés de entrar no fígado e ser filtrado, cai no lugar errado. É uma anomalia vascular que faz com que o sangue que vem pela veia porta (em direção ao fígado), entre diretamente na circulação sistêmica (daí o nome shunt "portossistêmico"), cavidade abdominal ou lugar errado do fígado. Esse sangue deveria ser limpo e metabolizado no fígado, mas como desvia o caminho acaba caindo na corrente sanguínea ainda cheio de toxinas. Proteínas, aminoácidos, amônia, todos ficam rodando livremente pelo sistema sanguíneo e acabam indo para o cérebro causando várias complicações.

SHUNT INTRA OU EXTRA HEPÁTICO 
É quando o desvio da veia porta ocorre dentro ou fora do fígado. A causa da anomalia pode ser congênita ou adquirida, não existe uma explicação exata de porque ela ocorre, mas no geral os animais costumam nascer com o shunt.

QUEM CORRE MAIS RISCO DO SHUNT?
A causa genética ainda é desconhecida, mas é uma anomalia que atinge principalmente animais jovens, com cerca de 1 ano. Isso não significa que animais mais velhos estão livres do problema! O shunt já foi diagnosticado até em cães idosos. Ele pode ocorrer em ambos os sexos. O shunt também ocorre com maior frequência em cães de raça pura, sendo o yorkshire terrier o mais afetado. 

SINTOMAS
Os sintomas não são exatos e podem ou não ocorrer. No geral estão ligados à problemas do sistema nervoso, digestivo ou urinário. Podem resultar em uma insuficiência hepática e hipoglicemia. Os sintomas dependem do problema que o shunt provocar. Se ele causar um distúrbio urinário, os sintomas serão em maioria voltados para o trato urinário. Se causar um distúrbio nervoso, os sintomas serão aqueles voltados a problemas nervosos, como tremores, convulsões... Etc. Então a gama de sintomas que podem estar relacionados a está doença é muito grande, por isso pode ser bem difícil diagnosticar o desvio protossistêmico. Mas vou descrever os principais aqui:
  • Problemas de crescimento
  • Febre 
  • Letargia
  • Depressão 
  • Anestésicos ou sedativos não funcionam como deveriam
  • Mudanças de comportamento
  • Sensibilidade abdominal ao toque
  • Desidratação 
  • Desorientação
  • Não conseguir desviar de objetos
  • Cegueira
  • Convulsões
  • Tremores de cabeça 
  • Olhos irritados 
  • Saliva forte ou com cheiro 
  • Vômitos 
  • Diarreia 
  • Emagrecimento e anorexia
  • Falta de apetite 
  • Urina excessiva
  • Urina com sangue
  • Dificuldade de Urinar
  • Morte

DIAGNÓSTICO
Para diagnosticar o shunt - desvio protossistêmico, o veterinário pode pedir vários exames que incluem:
  • Exame físico
  • Hemograma completo
  • Radiografia com contraste
  • Ultrassonografia
  • Tomografia
  • Cintilografia 

TRATAMENTO
Basicamente, o tratamento é a cirurgia para reparar a veia que está fazendo o desvio do sangue venoso. Quando não é possível fazer a correção cirúrgica da anomalia, o tratamento pode ser clínico, porém com menor eficiência. O tratamento clínico consiste em medicamentos diários, dieta restrita e com pouca proteína e complexos vitaminicos. O objetivo do tratamento é diminuir a absorção de produtos tóxicos, já que o sangue voltará para a corrente sistêmica sem ser metabolizado. Por isso a dieta fica restrita, com rações veterinárias específicas para animais com problemas hepáticos ou gástricos. Um animal que passa pelo tratamento clínico, toma diariamente antibióticos, vitaminas e o lactulose, além da dieta severa.no antibiótico é muito importante pois as bactérias normais do corpo também ficam na corrente sanguínea e podem atacar diferentes locais do corpo do animal.

Um animal tratado com a cirurgia reparadora pode viver normalmente. Já um animal que passa apenas pelo tratamento clínico pode viver de dois meses à dois anos. Mas é o veterinário e seus exames pré-operatórios que vão dizer se o animal pode ou não fazer uma cirurgia. Isso também depende do tamanho e da localização das veias com problemas.

Abaixo temos duas imagens de uma cirurgia para corrigir o Shunt. Geralmente a veia com anomalia nem precisa ser cortada, apenas estrangulada ou fechada para que o sangue não desvie por ali. A imagem é de um caso veterinário do site da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Imagem: http://www.ufrgs.br/bioquimica/casos/2009106.pdf

ALIMENTAÇÃO RESTRITA
Os veterinários recomendam o uso da comida em lata ou da ração Hill's Prescription Diet L/D ou K/D, ou a Royal Canin Hepatic. O animal só pode comer a ração! Nenhum outro tipo de alimento, petisco ou biscoito pode ser dado. A proteína se torna um veneno para animais com shunt.


-=-=-    FRIDA E O SHUNT    -=-=-
Vou contar a história da Frida hoje! Uma cadelinha SRD, vira-lata com muito orgulho.
Ela foi resgatada com os irmãos da rua, em Belém do Pará. Frida foi a ultima a ganhar um lar, na época o apelido dela era Bolinha, por conta da barriga grande e cheia de vermes. A bichinha estava desnutrida, com queda de pêlo e verminose. Não se sabe ao certo a idade dela, mas os veterinários acreditam que ela tinha uns 3 meses quando foi resgatada. O "dono" da mãe, aparentemente, só esperou os filhotes desmamarem para jogá-los na rua. 

Mas a Frida teve sorte! Foi resgatada e virou filha da minha amiga Édissa Outeiro. Foi muito bem cuidada, se livrou das vermes, recebeu alimentação com ração premium, teve acompanhamento veterinário, enfim, tudo perfeito. Frida deixou de ser uma bolinha bonitinha e virou uma linda cachorrinha. Na foto temos ela quando foi resgatada e após 1 ano.


OS SINTOMAS NA FRIDA
Tudo ia bem até que se descobriu o Shunt, quando ela estava com cerca de 1 ano e meio.
Os sintomas que levaram a dona a procurar o veterinário foram:
  • Febre alta a cada duas semanas
  • Vômitos semana sim, semana não
  • Diarréia semana sim, semana não 
  • Falta de apetite
  • Perda de peso / anorexia
  • Bebendo pouca água 
  • Olhos irritados
  • Saliva forte, dando alergia na dona



SALIVA COM AMÔNIA
Sim. Esse foi o sintoma que fez descobrirem o shunt na Frida Kahlo.
A mãe dela, Édissa, tem alergia a amônia e começou a ter alergia às lambidas da cachorrinha. Muito estranho de início e ninguém entendia o porque. Os 2 primeiros veterinários onde a Frida foi consultada ignoraram totalmente a saliva alérgica. Até que o terceiro veterinário levou isso em consideração! Ao perguntar tudo que a Édissa tinha alergia, ele chegou a conclusão que era a amônia. 

O shunt deixa as impurezas circulando no sangue e a principal que se espalha pelo cachorro é a amônia! Por isso a amônia está a saindo na saliva da Frida e dando reação alérgica à pele da dona. Os olhos da cachorrinha também estavam irritados por conta da amônia nas mucosas.

EXAMES DE SANGUE
Primeiro o veterinário pediu um hemograma que deu uréia alta. Depois foi feito um exame de sangue específico que mostrou a alteração na amônia, que estava 4x mais alta que o normal no sangue. 

ULTRASSON E TOMOGRAFIA
Constatado que é shunt, o veterinário fez um ultrassom para ver o local do desvio, mas a imagem não ficou muito nítida. Foi então pedida uma tomografia para ver se o local do desvio é operável ou não.


Texto: Vivian Roncon
Fotos da Frida: Édissa Outeiro
Fontes:

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